25 de julho de 2012

A tela

No quadro a vida se retrata em plenitude.
A mente do artista vaga leve
E se estende além das cores da pintura.

Todas as coisas tomam forma,
Existem, extrapolam a moldura.

A elegante mulher anda na feira:
Quantas vidas há, fora de foco,
A exigir a atenção do expectante!

O vestido longo, o corpo esguio;
Um imenso chapéu guarda nas sombras
Do imaginário o seu semblante.

Mais adiante, no universo da gravura,
Ela se revela novamente.
Outra vez mais, ao horizonte
E vai além,
Até sumir do consciente.

A mulher pintada anda solta
Na figura fictícia da ilusão.
Não repousa no olhar
Nem vem à mão.

Caminha, vai eternamente...

Utópica, bela, imponente,
Ela some tão etérea, absorta,
Tão fugaz e insensivelmente
Como se ninguém a desejasse;
Sem qualquer pudor,
Ao seu deleite.

Penetra indomável a minha alma
Até que alcance nela alguma cama,
Algum quarto em alguma rua
Em que, enfim, com toda calma,
Coberta de êxtase
E nua,
Se canse de trilhar e deite.

Poema do livro Todas as palavras de amor.

2 comentários:

O POETA DE MEIA-TIGELA disse...

Retrato de Mulher: pura
Figuração de donaire;
Meu olhar cegue, desvaire
Ante tanta - ILUMINURA!

Ádlei Duarte de Carvalho disse...

Que lindo, amigo Poeta! Obrigado! Você é genial!

Abraço!