13 de dezembro de 2011

Algumas coisas


A boca que sopra o tempo
Que escorre entre os meus dedos
E se perde na amplidão
Parece ganhar mais força
Enquanto os anos se vão.

No meio disso observo,
Da janela da casa materna,
Aquela mesma montanha
Em que meus olhos se perdem
Desde os tempos de infância,
Coberta pelo fino véu
Da chuva primaveril
Que vem em desvario d’águas
E ventos em turbilhão.

Vêm sempre daquele morro
Todas as minhas chuvas.

Algumas coisas nunca mudam.

Fecho a vidraça e corro
A desligar aparelhos
E abraçar minha mãe
Que, feito eu, quando menino,
Tem medo de trovão.

(A foto é da antiga varanda da casa em que virei gente. Hoje está mudada, mas guarda a mesma ternura.)

Poema do livro Canção para despertar os pássaros & novos planos de voo.

2 comentários:

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Irmão!

Belo poema.

Saudade dessa varanda que tive a honra de conhecer.

Obrigado por permitir que façamos (Cínthia e eu) parte da vida de vocês.

Beijo.

Ádlei Duarte de Carvalho disse...

Querido,

Tê-los em nossa vida é motivo de grande alegria.

Vocês ainda visitarão muito essa varanda.

Obrigado pelo carinho de sempre!

Beijo!