14 de julho de 2011

Todas as palavras de amor



Enquanto me observas tão detida
E Miles Davis extrai luzes do pistom,
Meu espírito navega nos teus olhos -
Mar longínquo, senda infinita -
E minha carne aguarda trêmula a tua marca,
A brasa rubra que arde em teu batom.

Ninguém jamais decifrará
Onde repousam as palavras de amor,
Milhares de palavras de amor
Que não socorrem minha boca nessa hora.

Que poderia alcançar meu pobre verso
Ante o teu mais singelo olhar,
Buraco Negro a consumir todas as coisas,
A sugar com voracidade o Universo?

Ninguém sequer dirá
Que tenha um dia conhecido o amor
Diante desse tão sublime amor!
Que a palavra, porque necessária
E ao mesmo tempo amiúde e rara,
Prefira o silêncio à oração.

Não! Palavras de amor serão guardadas
Sempre que me olhares tão profundo,
A esperar que minh'alma volte ao mundo
Para delas extrair a poesia
E assim depositá-las na tua mão.

Poema do livro Todas as palavras de amor.

6 comentários:

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Belo poema.

Cacá - José Cláudio disse...

Seus poemas são belos, Adlei. Abraços. Paz e bem.

Ádlei Duarte de Carvalho disse...

CC e Cacá,

Obrigado, amigos!

Abraços!

Berzé disse...

Oi Adlei,
Sempre muito bom. Estou com dificuldades técnicas para usar a internet, mas estou sempre nessa sua área.
Abração!
Berzé

Soninha disse...

Muito bom o texto, Abraços

Lilian Santana disse...

Lindo poema como sempre!!