28 de janeiro de 2011

Identidade




Sou uma soma disforme
De minhas próprias migalhas,
O sumo de todas as lutas,
Resto de muitas batalhas,
Mas trago sonhos nas mãos.

Não contornei desafios.
Vim engolindo as pedras,
Sorvendo os pântanos,
Devorando os montes
Que me surgiram.
Nada ficou no caminho:
Tudo virou identidade.

Só vejo com clareza o que fui.
Assento ainda os tijolos de hoje
E é inútil ter pressa.
Se ontem soubesse o que sei,
Apenas saberia agora
O que amanhã saberei,
No mesmo ciclo:
Criar-se e recriar-se
Sem fim.

Tenho os pés afoitos
E caminhar cauteloso:
Um passo atrás da certeza,
Outro adiante de mim.

Lanço o olhar aventureiro à frente
E reconheço-me no retrovisor.

Poema do livro "Todas as palavras de amor".

7 comentários:

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Excelente!

Ádlei Duarte de Carvalho disse...

Obrigado, querido!

Berzé disse...

Adlei,
Isso, amigo! Sempre fundo, sempre sempre.
Abração
Berzé

Alexandra Oliver disse...

Lindo poema! E isso nada mais quer dizer que a cada dia somos MAIS e a cada dia construímos nossa identidade baseada em nossa própria vivência.
Meus parabéns.

@alexandraoliver

Ádlei Duarte de Carvalho disse...

Alexandra,

Obrigado, querida!

Bjo.

Soninha disse...

lindo texto... essência é algo fica em nossas vidas... abraços

Ádlei Duarte de Carvalho disse...

Berzé e Soninha,

somos o produto de nós mesmos, né?

Abraços!