28 de novembro de 2010

Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias




DAS IDÉIAS

a vida é louca
isto é certo
a sorte é pouca
e pra quem tem
é muito
é mais do que o preciso
é como uma folga
fora o domingo
tenho estrelas-do-mar
no céu da boca
no peito cavalos-marinhos
num galope frenético
e um peixe-elétrico
que no meu sangue nada
e me acende a lâmpada
das idéias
da planta dos pés
me brotam raízes
e nas pernas barrigudas
batatas
será
que o que vejo
é de fato?
nos olhos
cataratas: são 7 quedas
de cabelo
7 vidas tenho
refletidas
em 7 espelhos
quebrados
tem um navio atracado em mim...

Restinga Seca, RS, 10/ 6/ 2002.

Poema de Cláudio B. Carlos (CC), do livro Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias.


VIA CRUCIS

Cruzar é preciso
a estreita via,
criar o acaso
e silêncio que soa.
Espreitar o estreito,
oposto do dia,
reter o rastro
do que não voa.
Verter o vil
da estreita via,
urna de sal
que o sol coa.

Poema de Cleber Pacheco, do livro Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias.


SEMEAR

Agora
É o tempo de sonhar.
Depois
É preparar a terra,
Semear com zelo
O que foi sonhado,
Celebrar o sol,
Bendizer a chuva,
Acalentar o enredo
Da gestação.

Conquista
É a alegria do plantio,
Embora a incerteza
Da colheita.

Poema de Ádlei Duarte de Carvalho, do livro Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias.

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