31 de agosto de 2010

Soneto da Contemplação

Noite escura e fria, embora janeiro,
O corpo dela sonha em paz e graça,
O cigarro fenece no cinzeiro,
O vinho tinto dorme em minha taça.

Uma luz tênue escapa da procela,
Atravessa a rua, vence a cortina,
Repousa mansa sobre a pele dela,
Depois de guarda na minha retina.

Eis o instante em que toda a Natureza
Subverte as forças vastas do Universo
Para estender a noite sobre o dia:

Pois que de contemplar tanta beleza,
O Sol aguarda calmo o último verso
Para irromper-se, antes, a poesia.

Poema do livro "Todas as palavras de amor"

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