31 de julho de 2010

Vida (em dois tempos)


VIDA I (saber-se)

Incompreensivelmente
Falo do nada.
Mesmo sem dizer,
Compreendo algumas coisas.
A vida é mais do que penso
Ou falo.
De cada hora que trago,
Trago o viver, somente.
A vida é algo de sempre
Se moldar nalgum projeto,
Algum projétil
Semente.


VIDA II (compor-se)

Viver é tornar-se elo
De uma grande corrente.
Muito além do existir,
Do Mi ou de andar por Si,
Há na vida um sentido:
A sina pela leveza
De acender um Sol bem Lá,
Onde foi Ré sustenido.
Um Fá(tal) ensinamento
De seguir subindo
Sem queimar pestana,
De manter um clima
Que sustente a composição
Sem Dó, Sem perder o tom,
Trabalhando o enredo,
Burilando um verso
Que carregue indefinidamente
A rima.

Viver é saber tocar.
Vencer é uma oitava acima.

Poema do livro "Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias".

2 comentários:

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Magistral.
Belo poema.
E que final!
Perfeito!

Ádlei Duarte de Carvalho disse...

Amigo,
Vindo da tua pessoa, prestimoso poeta, fico deveras grato!
Abs.