5 de julho de 2010

Elo


O menino perdido
Na rua, os carros
Pedindo passagem
O menino-miragem
Aos olhos da gente
Mirando a corrida
Da vida que pede
Um minus, um mimo
Menino somente
De pés nos sapatos
Sem fome e sem frio
Embora a alma nua
Com seus abstratos
O menino é uma rua
Sem portas, janelas
Sem pontos de luz
E sem rumo
Um escarro, um escárnio
Que atinge e fere
O menino é um carro
Correndo, bebendo
E fumando, urrando
E varando avenidas
Ligeiro, sem freio
E sem guia
Esperando um dia
Vencer as barreiras
Estreitar a via
Romper o elo
E morrer.

Poema do livro Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias.

Um comentário:

Lilian de Carvalho disse...

Para muitos meninos a rua é seu lar e isso é muito triste!!